segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Vale-tudo eleitoral para Dilma e o PT ?


Se o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, admite que o governo Lula testa os "limites de tolerância" da Lei Eleitoral e nenhuma atitude é tomada para coibir a antecipação da campanha, é possível acreditar que as disputas de 2010 vão institucionalizar o vale-tudo ! Nunca antes na história deste país essa atitude saiu impune, mas agora parece legal emitir sinais eleitoreiros nas margens do São Francisco, nas cercanias do Palácio do Alvorada e nas "inspeções" de obras lentas do PAC. Quem pagará pelo dinheiro público que está sendo utilizado na campanha, com tenda árabe no meio do sertão, com nove cozinheiros, 22 garçons, cantor de forró e aviões e helicópteros transportando lulopetistas ? Não sabia que o TSE e os TRE's têm "limites de tolerância".
Trocando em miúdos, para bom entendedor, o processo eleitoral do vale-tudo está virando uma zona, por causa das más intenções históricas do Congresso Nacional que não aprova uma reforma política para valer, com fidelidade partidária, voto distrital e até as burocráticas listas partidárias. Quem duvida disso precisa observar o desdém no tratamento aos candidatos com fichas sujas, que mereceu a mobilização da sociedade civil - Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral - que reuniu 1,3 milhões de assinaturas em projeto de iniciativa popular, crentes em mudanças.
A Internet liberada, com algumas pequenas restrições, logo será usada antes do prazo para apresentar candidaturas e antecipar os pedidos de votos. Observo que há um certo conformismo geral, mesmo com os partidos - PSDB, DEM e PPS - de oposição ao PT e ao lulopetismo, representando pedido de punição à campanha eleitoral antes do prazo à justiça responsável pela aplicação das novas regras. Acho que ninguém acredita na capacidade de fiscalização e punição pelos tribunais eleitorais, porque o presidente Lula não se preocupa mais em pedir votos e torcer pela sua candidata, enquanto a ministra Dilma Roussef, como ouvi hoje de comentaristas políticos no rádio, que "bate como homem", cândidamente diz que a oposição a persegue por preconceito contra o fato de ser mulher.
Como disse a senadora Marina Silva (PV), o governo Lula está usando a máquina pública para fazer campanha: "Há um incômodo legítimo da sociedade; essa ida ao São Francisco em caravana caracterizou um ato de campanha; os atos falhos falam por si. Não tem nada a ver com ser homem ou mulher."
Esse cenário abusivo merece aquela comparação que Dilma Roussef sempre gosta de fazer: quem respeitou mais a democracia e as regras do jogo por eleições limpas e sem corrupção. A história registra que FHC jamais manipulou a igualdade de oportunidade na competição eleitoral !
Enquanto o PT, Lula e os seus lulopetistas aloprados...

domingo, 25 de outubro de 2009

Serra leva o Brasil a sério !


Lí e recomendo a leitura da última edição (37) da Revista Piauí, que traz um dos mais completos perfis do governador José Serra, "Serra na hora da decisão", em reportagem da jornalista Daniela Pinheiro. Nos últimos 15 dias acompanhei comentários de colunistas, blogueiros e twiteiros, que extraíram partes da matéria, utilizando-as de maneira pejorativa na rádio peão, para tentar denegrir a imagem daquele que é, sem dúvida, a maior expressão política da oposição ao PT e ao lulopetismo. Valho-me da resumida introdução da jornalista, que escreveu: "O espelho, as duas almas, os três Eus, as pesquisas, as implicâncias e os critérios que o presidenciável levará em conta para resolver se, de fato, será candidato ao Planalto", como ponto de partida para desconstruir algumas das expressões manipuladas pelas vozes e textos de aluguel do mundo virtual e algumas colunas que se autoproclamam reacionárias ao PIG - Partido da Imprensa Golpista.
Por uma questão ética não vou expressar o quê penso desses "colegas", que em muitos momentos passados contavam com o meu respeito pelo talento e capacidade de influência na opinião pública. A comunicação contava com o testemunho e a visão desses jornalistas, para dar a dimensão das notícias e da sua interpretação para formar conceitos e até para mobilizar multidões em torno de bandeiras sociais, políticas e econômicas. Não havia a facilidade de hoje no acesso às informações, portanto muitos desses profissionais concentravam mais admiração e respeito, dados os níveis da descoberta de fatos e acontecimentos de interesse público.
Um perfil revelador de José Serra, como esse publicado pela Revista Piauí, desnuda para a sociedade brasileira, a história pessoal de alguém que tem todas as condições de dirigir o país nos próximos oito anos, pós-Lula. Uma história construída desde a sua origem humilde, filho de imigrante italiano, feirante no Mercado Municipal da Cantareira, onde tinha uma barraca de frutas, pobre, só estudou em escola pública e aprendeu a ser muito correto, rígido e trabalhador: "Num país de enorme desigualdade social, ele veio de baixo e se fez sozinho, não tem culpa ou responsabilidade pela pobreza", avalia Fernando Henrique.
Egydio Bianchi, ex-presidente dos Correios no governo FHC, que conheceu Serra aos 14 anos e estudou com ele na adolescência, relembrou que moleques da Mooca se referiam a Serra como aquele que queria ser presidente do Brasil e que desde cedo lia e estudava bastante. Outros amigos e familiares atestaram na matéria que ele faz diferença sobre outras pessoas e políticos, porque "pesa contra ele" o fato de escancarar suas implicâncias, enquanto a maioria as silencia.
Na rádio peão ou nas "leituras" e orelhadas emplacaram de maneira falsa que a Revista Piauí mostrou um Serra "mulherengo", quando na verdade explicita que ele foi "uma criança cercada de mulheres que o paparicavam. E é fato que a sua vida foi marcada pela interlocução feminina. A madre Cristina foi essencial na formação dele. Conversava bastante com a Maria da Conceição Tavares e a Liana Aureliano, sempre falou mais com a Ruth do que comigo - não reparou como ele ficou destruído quando a Ruth morreu? -, com a Marta Suplicy, com a Soninha, com a Cosette Alves, com a Verônica", discorreu FHC.
Por essas mesmas vias de informação, resumiram que FHC afirmara que "Serra não formulava nada e que era apenas um gestor", quando na realidade Fernando Henrique disse que "o Serra é um ótimo gestor e ponto final. Mas acho que ele é mais administrador e economista do que formulador. É mais pragmático que imaginativo". O próprio Serra responde a essa assertiva, na própria matéria: "Andei pensando sobre aquilo de eu ser mais gestor do que teórico e não concordo. Acho que formulação e execução são inseparáveis".
Jamais ouviríamos Serra repetindo Lula, quando em 2002, durante a campanha perguntaram o que ele queria para o Brasil. Lula disse querer que "todo brasileiro tenha dinheiro para tomar uma cervejinha depois do trabalho", enquanto Serra respondeu a mesma questão, querendo "que os jovens tenham emprego e perspectiva de futuro".
Enfim, ao Serra também jamais caberia uma estratégia marqueteira de transformá-lo num "Serrinha paz e amor", porque tudo com Serra é sério e o Brasil está mesmo precisando de um governante assim!

Santos para contemplar e interagir !


Faz 20 anos que a cidade de Santos contempla os armazéns - 1 a 8 - do seu Porto, desativados e em estado gradativo de deterioração. Não faltam projetos para o uso dos mesmos, com atividades turísticas, culturais, educacionais e empresariais, a exemplo do que ocorre em Buenos Aires (Puerto Madero) e em Belém do Pará. Infelizmente parece que esse processo não sairá tão cedo do papel. Soube que o prefeito João Paulo Papa articulou todos os detalhes com a Codesp - Companhia Docas do Estado de São Paulo, proprietária dos armazéns, e já mereceu solenidades públicas de anúncio da intenção do repasse a Prefeitura, inclusive com a participação do ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, mas ficou nisso.
Semana passada almocei no Clube 22, no Centro de Santos, e não resisti fotografar a paisagem que é maravilhosa mesmo em dias nublados. A Prefeitura criou em 2003, o Programa Alegra Centro, com o objetivo principal de preservar o patrimônio histórico em conjunto com a valorização da paisagem urbana e a retomada do desenvolvimento econômico e social da área central de Santos e, consequentemente, da Cidade e região.
Muitos empresários se instalaram no Centro Histórico, aproveitando toda a infra-estrutura oferecida e as belezas que fazem desse local um cenário, obtendo incentivos fiscais por isso. Nas proximidades dos armazéns, a Petrobrás deverá iniciar obras em breve, da construção de três torres que abrigarão os seus escritórios de gestão do boom do Pré-Sal.
Na mesma área, aproveitando ruínas de casarões históricos no Valongo, o município em parceria com os governos José Serra e Lula vai iniciar as obras do cantado em prosa e verso "Museu Pelé", que se transformará numa das principais atrações turísticas de Santos e do país. Muitos outros imóveis históricos ainda deverão ser restaurados ára receber atividade econômica, contribuindo com a preservação e com a atração de público.
Santos é uma paisagem pronta para receber e interagir com os seus visitantes. Não me canso de ouvir expressões de paixão e as expectativas sobre o grande salto desenvolvimentista reservado a Santos e região. Por essas razões e pensando no futuro, com parcerias e maior agilidade dos atores envolvidos, acho fundamental que a burocracia e o faz de conta não atrapalhem o que está por vir.
Quando os armazéns - 1 a 8 - estarão definitivamente disponíveis para a Prefeitura de Santos ? Quando você, leitor, conhecerá de perto esta cidade maravilhosa ? Enfim, um tema que pega leve, mas que deseja consequência !

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Adeus ao "Pira", Piratininga !


Fui surpreendido nesta segunda-feira (19), no meio da tarde, com a informação da morte do publicitário Luiz Celso de Piratininga, o "velho" Pira, aos 76 anos de idade, que atualmente presidia a ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). Instantâneamente lembrei de quando o conheci, apresentado pelo também publicitário Petrônio Correa, durante o governo FHC em Brasília. Os dois chegaram na sede do MEC sorrindo, cúmplices de alguma história que não ousaria perguntar, para não perder a oportunidade de testemunhar com encanto uma amizade entre dois grandes talentos da propaganda, que só conhecia do mercado, dos livros e da história da publicidade no Brasil. Até hoje não me lembro de vê-lo mais sério que na foto que ilustra esta homenagem singela. Desde então, sempre nos tratamos como velhos amigos, graças também à capacidade de Petrônio integrar pessoas de todas as gerações, e ao jeito simples do ser humano admirável, professor Piratininga.
Graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1972), Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1984) e Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1991). Foi professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing ESPM e professor da ECA-USP, onde lecionou por mais de 30 anos.
Fundador da agência Adag, dirigente do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), Luiz Celso de Piratininga presidiu a APP (Associação dos Profissionais da Propaganda) e a Abap (Associação Brasileira das Agências de Publicidade). Em 2007 passou a dirigir a ESPM, em substituição a Francisco Gracioso. A ESPM, um dos ícones das melhores escolas formadoras de publicitários e profissionais de marketing e administração, premiou a sua própria história com o comando de um gestor acostumado a ensinar tantas gerações com dignidade e brilhantismo.
Publicitário com ampla experiência e atuação no mercado, escreveu o livro "Publicidade: Arte ou Artifício?", reafirmando que, para o sucesso profissional das novas gerações, é fundamental ter conhecimentos específicos, cultura geral, agilidade e vontade de trabalhar.
O corpo de Pira é velado no Cemitério de Congonhas, na Capital de São Paulo, e será sepultado às 16h00 desta terça-feira, no mesmo lugar, a rua Ministro Álvaro de Souza Lima, 101, Jardim Marajoara.
Eu que já perdi meu pai em 2004 sei do tamanho da dor que deve estar sentindo o também amigo Luiz Celso de Piratininga Júnior, "Pirinha", que cuida da Adag e se encarregará do legado de administrar, com todos os seus amigos, a saudade que nos consome!

sábado, 17 de outubro de 2009

O PT mente como sempre !


Nesta semana o PT exercitou um velho hábito durante os comerciais políticos no horário nobre das programações de rádio e TV. Mentiu sem vergonha que o governo Lula investirá R$ 100 bilhões no Estado de São Paulo até 2010. Sua retrospectiva revela uma intenção permanente de "trabalhar o imaginário da população", como justificou um conhecido marqueteiro (João Santana). Na mentira dessas últimas inserções da sua propaganda política, o PT "omite" que os referidos bilhões de reais totalizam o dinheiro repassado pela União, incluindo despesas de empresas públicas federais e estaduais, empréstimos de bancos federais e investimentos vultosos do Governo do Estado e dos próprios municípios.
Isso faz lembrar que o PT, nos seus 30 anos de existência, dos quais 22 na oposição aos governos federais, mente bastante. Nunca na história deste país na oposição ou para tentar se manter na situação houve um partido mais mentiroso que o PT. O escritor Mark Twain costumava dizer que há três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas. Pesquisando fatos históricos correlacionados com o comportamento petista, diante das adversidades e enfrentamentos políticos, é possível observar que o PT, de tão acostumado com a mentira, não só acredita nas suas mentiras, como passa a mentir para si mesmo, com uma criativa profusão de argumentos para todas as ocasiões.
Alguém já esqueceu as mentiras elaboradas durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2006, quando o PT tentou e conseguiu colar no PSDB a falsa imagem de que o partido privatizaria a Petrobrás e o Banco do Brasil ? E dos números apresentados durante os programas eleitorais da então candidata Marta Suplicy na disputa da prefeitura de São Paulo ? O quê dizer dos discursos do presidente Lula quando sugerem dúvidas quanto à continuidade dos programas sociais como o Bolsa Família e de iniciativas que iludem a população como Minha Casa, Minha Vida ?
O PT não tem escrúpulos em massificar as informações na versão e no formato que mais interessam aos seus objetivos políticos. O PT, como escreveu Reynaldo Azevedo, transforma a burla "num método, numa visão de mundo, numa escolha, numa, enfim, teoria política".
A percepção dos resultados desse trabalho maquiavélico foi assinalada em pesquisa analisada pela cientista social Lourdes Sola, que constatou a capacidade dos governos petistas se apoderarem de realizações como a estabilização da economia (Plano Real), programa de aceleração do crescimento (Avança Brasil), fundo de desenvolvimento da educação e valorização do magistério - Fundeb (FUNDEF) e a rede de proteção social Bolsa Família (que unificou Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Vale Gás e Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - PETI).
Mentira é isso, como foi repetida agora na tentativa de se apropriar das obras do Metrô paulistano, realizadas com recursos que vêm do tesouro do governo do Estado e de empréstimo contraído do BNDES, que será pago por São Paulo nos próximos 15 anos. Mentira também é o PT dizer que o Rodoanel é uma obra do PAC federal, prevendo investimentos de R$ 3,6 bilhões, ao omitir que o governo federal entra com R$ 1,2 bilhão e o governo do Estado é responsável pela maior parte, R$ 2,4 bilhões.
Enfim, seguindo ainda a reflexão de Mark Twain, nas espécies da mentira, vale dizer que a candidata do PT, ministra Dilma Roussef, tem afirmado que haverá comparações estatísticas entre os governos FHC e Lula em 2010. Ora, pois, Dilma sabe que nesse terreno o PT tem notória especialização, já que estatística pode ser considerada a arte de nunca ter que dizer que você está errado.
Em novembro e 2006, João Santana, marqueteiro que cuidou da campanha para a reeleição de Lula, desnudou o gen petista e pode ser considerada uma excelente oportunidade para refletir como essa turma manipula as informações e usa a imprensa como ferramenta para seus objetivos eleitorais. Ele desconversou quando o repórter da Folha de São Paulo perguntou se houve "certa desonestidade intelectual" dos lulopetistas ou a criação de uma "mentirobrás", como expressou Geraldo Alckmin naquela ocasião:
"Não é bem assim. O presidente não foi reeleito por causa da polêmica sobre privatização. O fato é que o adversário teve a chance de responder, mas não o fez. Tivesse ele uma resposta pronta, objetiva, o impacto teria sido reduzido. Alckmin poderia mostrar objetivamente o uso de telefones, de computadores, de internet."
Concluo estas reflexões citando o livro "A Mentira Sagrada", escrito há milênios, por criaturas primitivas, que inventaram histórias para explicar os fenômenos da natureza que não conseguiam explicar. Por serem primitivos e ignorantes, todos acreditaram na mentira e a passaram adiante através dos séculos. Atualmente, mesmo com a ciência explicando muitos dos fenômenos inexplicáveis, o povo continua acreditando naquelas histórias.