domingo, 25 de outubro de 2009

Serra leva o Brasil a sério !


Lí e recomendo a leitura da última edição (37) da Revista Piauí, que traz um dos mais completos perfis do governador José Serra, "Serra na hora da decisão", em reportagem da jornalista Daniela Pinheiro. Nos últimos 15 dias acompanhei comentários de colunistas, blogueiros e twiteiros, que extraíram partes da matéria, utilizando-as de maneira pejorativa na rádio peão, para tentar denegrir a imagem daquele que é, sem dúvida, a maior expressão política da oposição ao PT e ao lulopetismo. Valho-me da resumida introdução da jornalista, que escreveu: "O espelho, as duas almas, os três Eus, as pesquisas, as implicâncias e os critérios que o presidenciável levará em conta para resolver se, de fato, será candidato ao Planalto", como ponto de partida para desconstruir algumas das expressões manipuladas pelas vozes e textos de aluguel do mundo virtual e algumas colunas que se autoproclamam reacionárias ao PIG - Partido da Imprensa Golpista.
Por uma questão ética não vou expressar o quê penso desses "colegas", que em muitos momentos passados contavam com o meu respeito pelo talento e capacidade de influência na opinião pública. A comunicação contava com o testemunho e a visão desses jornalistas, para dar a dimensão das notícias e da sua interpretação para formar conceitos e até para mobilizar multidões em torno de bandeiras sociais, políticas e econômicas. Não havia a facilidade de hoje no acesso às informações, portanto muitos desses profissionais concentravam mais admiração e respeito, dados os níveis da descoberta de fatos e acontecimentos de interesse público.
Um perfil revelador de José Serra, como esse publicado pela Revista Piauí, desnuda para a sociedade brasileira, a história pessoal de alguém que tem todas as condições de dirigir o país nos próximos oito anos, pós-Lula. Uma história construída desde a sua origem humilde, filho de imigrante italiano, feirante no Mercado Municipal da Cantareira, onde tinha uma barraca de frutas, pobre, só estudou em escola pública e aprendeu a ser muito correto, rígido e trabalhador: "Num país de enorme desigualdade social, ele veio de baixo e se fez sozinho, não tem culpa ou responsabilidade pela pobreza", avalia Fernando Henrique.
Egydio Bianchi, ex-presidente dos Correios no governo FHC, que conheceu Serra aos 14 anos e estudou com ele na adolescência, relembrou que moleques da Mooca se referiam a Serra como aquele que queria ser presidente do Brasil e que desde cedo lia e estudava bastante. Outros amigos e familiares atestaram na matéria que ele faz diferença sobre outras pessoas e políticos, porque "pesa contra ele" o fato de escancarar suas implicâncias, enquanto a maioria as silencia.
Na rádio peão ou nas "leituras" e orelhadas emplacaram de maneira falsa que a Revista Piauí mostrou um Serra "mulherengo", quando na verdade explicita que ele foi "uma criança cercada de mulheres que o paparicavam. E é fato que a sua vida foi marcada pela interlocução feminina. A madre Cristina foi essencial na formação dele. Conversava bastante com a Maria da Conceição Tavares e a Liana Aureliano, sempre falou mais com a Ruth do que comigo - não reparou como ele ficou destruído quando a Ruth morreu? -, com a Marta Suplicy, com a Soninha, com a Cosette Alves, com a Verônica", discorreu FHC.
Por essas mesmas vias de informação, resumiram que FHC afirmara que "Serra não formulava nada e que era apenas um gestor", quando na realidade Fernando Henrique disse que "o Serra é um ótimo gestor e ponto final. Mas acho que ele é mais administrador e economista do que formulador. É mais pragmático que imaginativo". O próprio Serra responde a essa assertiva, na própria matéria: "Andei pensando sobre aquilo de eu ser mais gestor do que teórico e não concordo. Acho que formulação e execução são inseparáveis".
Jamais ouviríamos Serra repetindo Lula, quando em 2002, durante a campanha perguntaram o que ele queria para o Brasil. Lula disse querer que "todo brasileiro tenha dinheiro para tomar uma cervejinha depois do trabalho", enquanto Serra respondeu a mesma questão, querendo "que os jovens tenham emprego e perspectiva de futuro".
Enfim, ao Serra também jamais caberia uma estratégia marqueteira de transformá-lo num "Serrinha paz e amor", porque tudo com Serra é sério e o Brasil está mesmo precisando de um governante assim!

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